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| Desenhista : Gualdino Pimentel |
Naquele universo infinito de seu coração havia
saudade, embora dilacerado, traduzia a constante razão de querer amar, uma felicidade
invejável oculta nos olhos de quem o observa tomar aquele expresso sem açúcar, como
ele gostava? Como conseguia sorrir?
E num instante silêncio pausado ele desenhava alguns
rabiscos em seu caderno e ao mesmo tempo, analisava as pessoas que ali passavam
como se as conhecesse, as cumprimentava vagamente e de fato, ele arrancava de alguns transeuntes certa
expressão de conforto, tão educado, simplório, não haviam vestígios de mágoas ainda
que soubesse que no fundo ele refletia inverdades, um veludo asilado nos abraços
que doou, das mentira que ouviu e
acreditou e mesmo assim, “ele traduzia a constante razão de amar”...
Interessante que ele conseguia extrair das pessoas o
seu melhor, e por mais que aquela sensação o matasse por dentro, ele renascia, pois
tudo era implícito, então, ele apenas amava, mergulhava em suas inspirações e
sem culpa, detestava os conceitos que buscavam definir o jeito que levava sua
vida, detestava os conselhos de amor como se fosse frígido, detestava aquela
falsidade conveniente de pessoas que outrora se faziam presente quando
necessitavam da segurança de um carinho recíproco, mas no fundo era só um vago pensamento,
ele modulava suas frases, e se entregava a qualquer solidão que ali refugiava-se,
pois naquele coração cabia o universo que a própria razão de existir desconhecia...
Bem verdade, naquele coração habitavam outros corações,
tão perene, ele já não criava a expectativa de retorno, amava por amar, gostava
por gostar, cuidava por cuidar, plantava por plantar e colhia a sensação
apaziguada de dever cumprido, pois qual a razão de existir se não amar? É o
mesmo que viver sem ter existido...
Autor: Leandro C. de Lima

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