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| Desenhista: Victor Matheus |
Me regue de amor, venha invada a
alma em todos os sentidos, não tenha pressa, que eu não tenho hora pra ir
embora, vou permanecendo lentamente ao seu lado pra esquecer que felicidade nunca
foi tão unilateral, embora eu tenho um jeito meio estranho de ser, fujo sem
querer, sem ofender, sem disfarçar o meu sorriso quase sempre embriago de
saudade, mas me regue de amor, me sequestre, me banhe ao delírio sem culpa, me
ganhe sem medo e se acaso ficar, pense que a vida me reserva memórias que hoje
eu não posso viver, embora esse coração vagabundo tenha entregue ao mundo
sentimentos que já não sentia, me regue amor, me embriague de poesia.
Eu sei, eu fui inconsequente, fui
vivendo regando corações que não seriam meus, o tempo vai passando e vou
tentando entender que toda entrega tem que ser mútua, pois amar é viver de
clareza, ninguém sofre porque quer, se mato minhas dores, foi legítima defesa,
então, foi regando minhas flores que percebi o quanto meu coração era
imperfeito, que amar demais era um defeito, um erro sádico para os que não
amam...
Me regue de amor, me fascina, me
liberta, cobiça meus sonhos, anseios que trago em meus olhos perdidos tentando
encontrar metade de mim que se foi.... Me regue, me toma, me aceite como sou, porém,
não se ausente.
O desespero da dor é achar que
qualquer carinho é paixão, que qualquer beijo é entrega, quando em verdade tudo
não passa de um disfarce provocado na ilusão de querer alguém mesmo sabendo que
todo amor vem a seu tempo, um apelo emaranhado a punhos de saudade ao vento,
regados de um coração a liberdade, que não tem culpa, que floresce na certeza de
que a vida é uma constante rajada de fatos tragados a expectativas
de quem ama e
de quem amar....
Autor: Leandro C. de Lima

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