quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Me regue



Desenhista: Victor Matheus

Me regue de amor, venha invada a alma em todos os sentidos, não tenha pressa, que eu não tenho hora pra ir embora, vou permanecendo lentamente ao seu lado pra esquecer que felicidade nunca foi tão unilateral, embora eu tenho um jeito meio estranho de ser, fujo sem querer, sem ofender, sem disfarçar o meu sorriso quase sempre embriago de saudade, mas me regue de amor, me sequestre, me banhe ao delírio sem culpa, me ganhe sem medo e se acaso ficar, pense que a vida me reserva memórias que hoje eu não posso viver, embora esse coração vagabundo tenha entregue ao mundo sentimentos que já não sentia, me regue amor, me embriague de poesia.

Eu sei, eu fui inconsequente, fui vivendo regando corações que não seriam meus, o tempo vai passando e vou tentando entender que toda entrega tem que ser mútua, pois amar é viver de clareza, ninguém sofre porque quer, se mato minhas dores, foi legítima defesa, então, foi regando minhas flores que percebi o quanto meu coração era imperfeito, que amar demais era um defeito, um erro sádico para os que não amam...

Me regue de amor, me fascina, me liberta, cobiça meus sonhos, anseios que trago em meus olhos perdidos tentando encontrar metade de mim que se foi.... Me regue, me toma, me aceite como sou, porém, não se ausente. 

O desespero da dor é achar que qualquer carinho é paixão, que qualquer beijo é entrega, quando em verdade tudo não passa de um disfarce provocado na ilusão de querer alguém mesmo sabendo que todo amor vem a seu tempo, um apelo emaranhado a punhos de saudade ao vento, regados de um coração a liberdade, que não tem culpa, que floresce na certeza de que a vida é uma constante rajada de fatos tragados a expectativas
de quem ama e de quem amar....

Autor: Leandro C. de Lima

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