quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Meu cárcere ...




Desenhista: Victor Matheus
Havia um pássaro em mim, eloquente, porém não voava, observava o céu tão desconhecido, cantarolava ao tempo em que seu pensamento se perdia noutros sonhos, outros planos, pois até então emaranhava toda saudade ao passado, e no anseio de procurar a felicidade se perdeu, a liberdade se foi, atravessou ilusões a tapas de uma realidade árdua, pediu conselhos do pai e repousou...

Havia um pássaro em mim, não possuía nome, se misturou a vaidade e vontade de querer voar, porém voar nunca fora vaidade, enfim cantarolava a liberdade de seguir em frente ao passo de um passado inerte, embora soubesse que passado é um rabisco diário ilegível, sem anestesia, rasgando n´alma dores de amores vis, de silencio ofegante, de ser amante a amado, e chorou pela primeira vez, pois voar ainda era distante, e num estado indiferente consigo mesmo lutou, sem desespero pulou, fechou os olhos e decidiu voar...

Finalmente voou, deixou de sofrer, e re(descobriu) que ainda sonhava, re(descobriu) que a vida possuía uma única regra, viver o limite improvável, e que o medo entorpecia os desejos, as vontades, foi então que parou fugir, de se acostar a mesmice, e resolveu acreditar que até no imperfeito a felicidade vagava, sem deslize, pois de tão insofismável, a vida lhe sorria novamente, cravando em seu peito um pouco de paz

Havia um pássaro em mim, havia passado, havia dor, hoje não mais....

Autor: Leandro C. de Lima
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insofismável
adjetivo de dois gêneros
  1. 1.
    não sofismável; que não se pode deturpar usando sofismas; indiscutível, irrefutável, incontestável.
  2. 2.
    cuja verdade é evidente; patente, claro.


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