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| Fotografia : D.Barreto |
Caçava gafanhotos enquanto sua mãe
admirava as horas perdidas no afã de prende-los em sua mão, corria para todos
os lados lhe desenhando sorrisos e naquela manha, mesmo sem saber o que fazer
para o almoço, continuava a admira-lo. Ele não conhecia a tristeza, a vaidade,
muito embora lhe faltasse tantas e outras coisas, o amor de sua mãe era de uma
grandeza, que toda fome cessara com a simplicidade de um almoço servido pelo
pouco ofertado e então, novamente corria atrás dos gafanhotos.
Por dias e dias os caçou e os lançou
da mesma forma que os pegava, não havia solidão e dos imaginários amigos que
habitavam sua mente, ele nunca soubera a grandeza daquele lugar, ou e melhor, ele
sempre soubera do castelo de amor criado por sua mãe e do ermo existente em
seus olhos, habitavam saudade, de um pai que nunca conhecera, do irmão que
esquecera, ventilando emoções no brio de uma felicidade inventada.
Por alguns instantes, parou e começou
a admirar a sua mãe e correu, pernas finas como de sabiá, o vento o levava como
quem transporta sonhos e a abraçou, e daquele abraço, pulou e se jogou em seu
colo, como os gafanhoto pulavam de sua mão indo de encontro a seu mundo e
quisera eu ter a mesma felicidade e simplicidade daquele garoto, quisera eu
esquecer toda essa cobiça, quisera acreditar que o mundo é apenas um imenso céu
azul com gramas verdes, caçar gafanhotos e ser feliz...
Leandro Carvalho de Lima.

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