sexta-feira, 12 de maio de 2017

Eu já não mais voltava...



Eu sempre voltava, na verdade, eu alimentava em mim um desejo incontrolável de que todo aquele sentimento fosse verdadeiro, perene, mas no fundo, ele não me amava, era só mais uma satisfação inebriante.

Eu sempre voltava, acreditava naquela mudança repentina ou me enchia de esperança das vezes que o vi chorar copiosamente. Embora soubesse do quanto me tornasse refém daquele sequestro emocional, eu sempre voltava, porém eu era somente mais uma satisfação inebriante, ou melhor, ele possuía sede de todo aquele meu desespero, daquele amor incompreendido, mas eu sempre voltava e no fundo, naufragava conscientemente das vezes em que ele me pedia mais uma chance...

Eu sempre voltava, mas naquele dia o deixei esperando, embora meu corpo estremecesse de saudade, minha liberdade era muito mais importante a que me refugiar de um sentimento pérfido. Eu sempre voltava, mas aquele sentimento de posse cada vez mais esvanecia, não possuía entrega, não possuía rotina.

Então, todo aquele diálogo aleatório entre minhas vontades e receios tornava-se esquecimento. Embora sempre voltasse, toda sua satisfação inebriante por me ver voltar tomava lugar para outro sentimento, a repulsa, a revolta. Ele já não mais me possuía nas mãos, não me tomava pelos braços, eu já não mais voltava...


Eu já não mais voltava...

Autor: Leandro C. de Lima

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