Eu
sempre voltava, na verdade, eu alimentava em mim um desejo incontrolável de que
todo aquele sentimento fosse verdadeiro, perene, mas no fundo, ele não me amava,
era só mais uma satisfação inebriante.
Eu
sempre voltava, acreditava naquela mudança repentina ou me enchia de esperança
das vezes que o vi chorar copiosamente. Embora soubesse do quanto me tornasse refém
daquele sequestro emocional, eu sempre voltava, porém eu era somente mais uma
satisfação inebriante, ou melhor, ele possuía sede de todo aquele meu
desespero, daquele amor incompreendido, mas eu sempre voltava e no fundo,
naufragava conscientemente das vezes em que ele me pedia mais uma chance...
Eu
sempre voltava, mas naquele dia o deixei esperando, embora meu corpo estremecesse
de saudade, minha liberdade era muito mais importante a que me refugiar de um sentimento
pérfido. Eu sempre voltava, mas aquele sentimento de posse cada vez mais esvanecia,
não possuía entrega, não possuía rotina.
Então,
todo aquele diálogo aleatório entre minhas vontades e receios tornava-se esquecimento.
Embora sempre voltasse, toda sua satisfação inebriante por me ver voltar tomava
lugar para outro sentimento, a repulsa, a revolta. Ele já não mais me possuía nas
mãos, não me tomava pelos braços, eu já não mais voltava...
Eu
já não mais voltava...
Autor: Leandro C. de Lima
Nenhum comentário:
Postar um comentário