quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

CONFRATERNIZAÇÃO (s.f)

É o encontro para além do tacacá, do Círio, dos festejos de final de ano. União de pessoas com propósito comum. É o abraço coletivo que acolhe, que respeita, que nutre a amizade através do tempo. É o diálogo, a chuva das três da tarde que nos reúne para o café. 

O olhar sensível que nos aceita, que nos lê diante do caos como um resgate no meio de tanta gente que nos sequestra a paz, a sanidade, mas que silenciosamente nos diz: “que bom que você veio”. Era conexão que buscávamos, sem o desespero do agrado. Confluência de almas caligrafadas nos afetos. Ser, não apenas estar. Ato de existir para o outro, sem o pudor do isolamento recatado da falsidade.

Era nas vezes em que me doava, abrigo temporário de tanta gente ausente que nunca me desejou a companhia, até que passei a ir embora e só pousar nos espaços em que minha existência é um brilho que somente eu posso sentir, nos olhares que dividem comigo o mesmo sentimento de respeito.


Autor : Leandro Lima

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Estrada...

Lembro-me bem daquela tarde ensolarada de 28 de novembro de 2015. Era sábado, e eu havia acabado de sair daquela prova massiva da OAB, totalmente desgastado. A única coisa que talvez pudesse revigorar minhas energias era estar com ele. Porém, para minha surpresa, ao ligar o telefone, recebi uma mensagem de bom dia enviada por volta do meio-dia que dizia, ao final: “Eu te amo.” Claro, fiquei em êxtase.

Cheguei em casa cansado e, mesmo assim, liguei para saber se podíamos nos ver. Apesar das inúmeras vezes que o telefone chamou, ele não atendeu. Por volta das 17h30, liguei novamente, e ele disse que estaria na companhia de sua mãe. Por achar que eu estava cansado, optou por não me incomodar, o que me causou certa estranheza. Alguns minutos após retornar a ligação, ele mencionou que havia encontrado uma pessoa que me causou verdadeiro espanto. Ainda assim, me convidou para “ir ao cinema”.

Sem saber o que fazer e temendo o pior, liguei para duas amigas, e ambas me disseram para manter a calma. Ao chegar no shopping, percebi que aquela mensagem de “eu te amo” enviada ao meio-dia havia desaparecido como um sopro. Logo, percebi que ele havia marcado com outra pessoa, apaixonou-se e não terminou comigo apenas por temer que isso pudesse interferir diretamente na minha prova da OAB. E sabe quando você simplesmente ignora a dor porque não sabe o que sentir?

Duas porradas em um único dia: a reprovação na OAB e o fim de um namoro de 4 anos e meio, indo para o ralo.

Eu o avistei indo embora pela escada rolante, e, como nas cenas de cinema em que casais correm desesperadamente para se desculpar ao som da trilha sonora de suas vidas, eu o vi partir. Durante o intervalo de 2 anos, 2 meses e 26 dias, eu me senti simplesmente vazio.

São mais de dois anos desde que me dei conta de que o amor é relativo, não essa fantasia que rabiscamos nas carências refletidas em nossas emoções. Percebi que, por anos, costurei minhas razões em expectativas que, com o tempo, desfiaram-se.

Na verdade, quantas vezes costuramos nossas razões a expectativas?

Então, resolvi encarar a verdade: estar sozinho não se tornou uma opção, mas sim aquela voz inconsciente que me encorajava a fugir. Embora tenha fugido algumas vezes e encontrado pessoas incríveis, nunca permaneci. Compreendi que amar não é apenas entreter momentos; é entrega, perda, ganho. Por vezes, amar é saber realinhar os fios costurados pelas razões erradas e alinhar o eixo exato de uma relação.

Lembro-me de que exatamente em 28 de novembro de 2017, precisamente dois anos depois, percebi o quanto sou grato por ele ter me deixado. Apesar de ter dado certo, de certa forma, ele não me amava o suficiente para ficar.

E, no fim, o amor nada mais é do que uma estrada.


Autor: Leandro Lima

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Solidão, o sequestro da alma!

Não me lembro do quanto o silêncio ensurdecia-me, embora aquela sensação de vazio me corresse pelo corpo, via-me refém!

Via-me refém do medo, da perda, do insucesso...via-me refém daquele emaranhado de vozes que outrora se perdiam copiosamente em direções opostas, mas que ao mesmo tempo, paralisavam o meu sorriso... via-me me refém da insônia, do vício, da dúvida, ainda que me insurgisse vontades, eu permanecia inerte!

Então, via-me refém da ausência...

E na ausência, via-me refém do esquecimento, e quanto mais me esquecia, os diálogos se dissipavam e a permanência da saudade se fazia presente... e quanto mais se dissipavam os diálogos, mas me percebia só!

Então, via-me refém da solidão...

E na solidão, via-me refém do meu silêncio, diferentemente daquele que me ensurdecia, eu me percebia cada vez mais recluso as minhas vontades que já não mais se faziam presentes.
Então, via-me refém da perda... embora aquela sensação de vazio me corresse pelo corpo, via-me refém!

Da solidão,

Que ansiosamente me sequestrou...

Autor: Leandro C. de Lima

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Eu não te quero.

Não, eu não te quero por tu seres legal comigo ou saber minha música preferida ou talvez, por saberes o quanto sou alucinado por café e por não te querer, tu insistes em me trazer flores sabendo que elas murcharão ao final do dia ou insistes em adivinhar os lugares que frequentei tentando parecer natural, quando em verdade, eu não te quis em primeiro plano... 

Não, eu não te quero por tu seres incrível, e dirão talvez que eu esteja louco ou dirão que perdi a noção do tempo e espaço por não perceber o quanto tu me eras perfeito, quando em verdade, não se tratava do espaço preenchido em meu peito, mas da compreensão sobre o que me fazia feliz, então... percebi que as pessoas possuíam um estranho defeito de me casar a outros amores e eu, eu preferia estar só! 

E por estar só, fui percebendo o quanto as pessoas se jogavam a amores vazios, mecânicos, estando a mercê da imaturidade, confundindo a carência com paixão, com amor, colecionando pessoas... então, me retire da tua rotina, dos teus medos, e perceba que gostar de alguém vai muito além do que agrada-la ou saber dos seus gostos e do quanto ela possuía paixão por café!

Não, eu não te quero por tu seres incrível...

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Costumes

A gente se acostuma a correr atrás, a inventar desculpas, a aceitar calado e aceitando calado, a gente se acostuma a engolir em demasia, e por engolir em demasia, a gente se acostuma em seguir em frente e aprende a não criar conflitos... E não criando conflitos, a gente se acostuma a esquecer ou talvez fingir que nada tivera acontecido e por não ter acontecido, tudo se repete e voltamos a correr atrás e achar absolutamente normal se ferir mesmo sem ter culpa e não tendo culpa, você se acostuma a justificar os erros que nunca foram seus e então, você se acostuma a sorrir mesmo não admitindo....

A gente se acostuma a correr atrás, a aceitar de volta e por aceitar de volta, a gente se acostuma a fingir e talvez acreditar que tudo será diferente e quando percebe, você se acostuma a não mais ter amigos ou frequentar menos as confraternizações e por não frequentar  as confraternizações, a gente se acostuma a ser menos convidado e se isola, e na medida que a gente se isola, o mundo parece invisível e a qualquer ruído o orgulho cega vontades e na medida do que não se enxerga, a gente se acostuma a morrer lentamente....


A gente se acostumar a correr atrás, mas na medida que se corre, a vida vai tomando um rumo um pouco diferente e então, você se percebe preso numa liberdade omitida por um amor falso, e na medida que você enxerga todo esse amor falso, você se desenterra, acorda e por fim, SEGUE EM FRENTE...

Autor: Leandro C. de Lima

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Me dê licença...

Minha ausência nunca fui desleixo, embora tenha me importado menos, eu sempre estivera aqui, na verdade, eu sempre me importara e sempre me propunha a abraçar a quem quer que fosse, até perceber que nem todos os abraços me eram devolvidos. Então, eu me ausentava, mas não por desleixo, e sim, por legitima defesa, e me isolava lentamente daquele estado ébrio que me entalava a garganta por me envolver demais.

Minha ausência nunca foi desleixo, e na medida do tempo que passava, o café esfriava, e por fim, poucos permaneciam em minha vida com a certeza de que sempre estivera no mesmo lugar...

O fato é que confundiam minha ausência com a falta do interesse e digo, eu me interesso, se minha mãe chegou bem de um dia cansativo de trabalho, eu me interesso pelos livros estacionados em minha estante ou se meu filme favorito irá reprisar na sessão da tarde, e nossa, como me interesso pelas pessoas que passam por mim e me pergunto sobre suas histórias e sobre seus dias...

Na verdade, minha ausência nunca foi desleixo, mas nossos diálogos que perderam o costume, e por se perderem, nos deixamos de lado e seguimos em frente sem retorno ou entender que toda ausência possui uma razão preexistente...

Na verdade, por muito tempo eu fui ausente de mim por ser presente demais e por ser presente demais, eu me feria...

Hoje, tenho escutado sobre minha ausência de muitos que me tiveram presente e digo, me dê licença...


Mas vou cuidar de mim...

Autor: Leandro C. de Lima

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Desculpa-me, mas eu não quero!

Desculpa-me, mas eu não quero!

Eu não quero ser as opções do teu gosto falho ou ser o teu sentido frustrado todas as vezes que tu me olhares como se fosse teu ultimo pedido. 

Desculpa-me, mas eu não quero e nem posso fixar os meus ideais a tua estranha mania de me querer preso, e sim, eu não quero que minha liberdade seja confiscada por esse teu ciúme doentio que me corta o desejo, e sinceramente, eu não quero conviver com essa duvida que me assopra ao pé do ouvido, na verdade, desculpa-me, mas eu não quero.

Eu não quero inflar o teu ego ou te bajular todas às vezes em que me devolveres um sorriso falso... 
Desculpa-me, mas eu não quero, pois fui inteiro demais enquanto tu papeavas outros contatos, diferente de mim, que acreditava naquele carinho repentino quando em verdade era culpa, além do mais eu só te conduzia na cama como consolo de quem não soubera partir com receio de estar só...

Desculpa-me, mas eu não quero...

Eu não quero ter que me ausentar de minhas vontades e perder toda sanidade por esse teu cinismo infantil... Sinceramente, meu corpo já não pede teu toque e não quero gastar o meu tempo com todo esse discurso de quem sente saudade, em verdade, eu sempre estivera a tua frente e diferente de mim, ela sempre foi falsa...

Desculpa-me, mas hoje deixo-me de afogar...


NÃO TE QUERO MAIS.

Autor: Leandro C. de Lima