terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sou canceriano ...



Sim, sou canceriano, sou de beijos roubados, de uma sentimentalidade efusiva, sou por inteiro de metades estranhas doadas ao incerto desejo profano que se propaga e dilacera,  sou extremos mesclados em um só olhar que devora a alma e sim, por vezes minha radicalidade vociferou verdades,  engoliu mentiras, e por certa dose de romantismo sou poeta de mim mesmo e claro, não deixei de acreditar no amor mesmo quando tomado pelas dores provocadas pela perda de um certo alguém que me deixou, canceriano eu sou, e por onde quer que eu vá que o tempo caminhe comigo como um ombro amigo sem carregar qualquer peso que me leve ao chão e se por um acaso a inveja for cega, que não enxergue a felicidade que habita em meu coração.
Sim, sou canceriano, sou de entrega bandida, de amores perdidos, mas se por aventurar amar, que navegue em meu peito deste ser imperfeito a ternura de declarações tão certa, como alvo e a seta, como tiro certeiro, como quem quer entregar o mundo inteiro e ao mesmo tempo perder-se de amor e de paixões, como quem prova o veneno árduo da espera e se rende a olhares estranhos feito bala perdida de palavras contidas em frases de efeito, e não, não me vendo a valores incertos tão certos que não vale a pena serem sentidos, como quem gosta por gostar, se entrega por se entregar, como que ama por um amor que se tem vendido.
Sim, sou canceriano, de riso fácil eu sou o astuto ilusório simplório rabisco de memórias guardadas e no afã de me conter seguro, por vezes calei meu orgulho e por simplesmente calar, meus olhos insones se viram perdidos em meio ao caos de tanta sentimentalidade engasgada por querer demais, por amar demais, por me doar demais e por fim, me enxergar de menos, e dessa cega mania por valorizar mais o outro a que mim mesmo, naufraguei por vezes em meu próprio abismo e então, comecei a abrir mão de tanta coisa que já não mais somava em meu peito, pois do meu defeito, era achar que a vida fosse feita de entrega e me entreguei ...
Sim, me entreguei, me entreguei a tanta vida jogada lá fora que quando eu fui embora, recobrei a consciência de um vazio aberto na alma por achar-me incompleto pensando que amar e ter um certo alguém que me coubesse no peito ...
Sim, eu sou canceriano, amor porque quero, e se me quiser, que me queira, mesmo imperfeito.

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