Sim,
sou canceriano, sou de beijos roubados, de uma sentimentalidade efusiva, sou
por inteiro de metades estranhas doadas ao incerto desejo profano que se
propaga e dilacera, sou extremos
mesclados em um só olhar que devora a alma e sim, por vezes minha radicalidade
vociferou verdades, engoliu mentiras, e
por certa dose de romantismo sou poeta de mim mesmo e claro, não deixei de
acreditar no amor mesmo quando tomado pelas dores provocadas pela perda de um
certo alguém que me deixou, canceriano eu sou, e por onde quer que eu vá que o
tempo caminhe comigo como um ombro amigo sem carregar qualquer peso que me leve
ao chão e se por um acaso a inveja for cega, que não enxergue a felicidade que
habita em meu coração.
Sim,
sou canceriano, sou de entrega bandida, de amores perdidos, mas se por aventurar
amar, que navegue em meu peito deste ser imperfeito a ternura de declarações
tão certa, como alvo e a seta, como tiro certeiro, como quem quer entregar o
mundo inteiro e ao mesmo tempo perder-se de amor e de paixões, como quem prova
o veneno árduo da espera e se rende a olhares estranhos feito bala perdida de
palavras contidas em frases de efeito, e não, não me vendo a valores incertos
tão certos que não vale a pena serem sentidos, como quem gosta por gostar, se
entrega por se entregar, como que ama por um amor que se tem vendido.
Sim,
sou canceriano, de riso fácil eu sou o astuto ilusório simplório rabisco de
memórias guardadas e no afã de me conter seguro, por vezes calei meu orgulho e
por simplesmente calar, meus olhos insones se viram perdidos em meio ao caos de
tanta sentimentalidade engasgada por querer demais, por amar demais, por me
doar demais e por fim, me enxergar de menos, e dessa cega mania por valorizar
mais o outro a que mim mesmo, naufraguei por vezes em meu próprio abismo e
então, comecei a abrir mão de tanta coisa que já não mais somava em meu peito,
pois do meu defeito, era achar que a vida fosse feita de entrega e me entreguei
...
Sim,
me entreguei, me entreguei a tanta vida jogada lá fora que quando eu fui embora,
recobrei a consciência de um vazio aberto na alma por achar-me incompleto pensando
que amar e ter um certo alguém que me coubesse no peito ...
Sim,
eu sou canceriano, amor porque quero, e se me quiser, que me queira, mesmo imperfeito.
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