quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Um circo

Desenhista : Gualdino Pimental
Vejam só, carrego um palco inteiro enfermo sobre mim, um paralelo entre ir e vir, de sentimentos passageiros, de imperfeiçoes sobressalentes.... Vejam só, quanta saudade eu herdei de mim, quanta loucura eu herdei de nós, fui desatando tantos nós entrelaçados entrementeses, que estacionei meu coração onde não devia, vejam só, um sobressalto ante a solidão, silenciando a voz nessa procissão, num estado latente de poesia e foi então, que borrei toda essa imagem forjada de um tempo onde já não mais se vive por viver, posto que eu, tantas vezes duvidei dos sorrisos que ouvi, das pessoas que amei, dos olhares percebi, que  carrego um palco inteiro enfermo sobre mim...

Vejam só, há tanta gente habitando em mim, um sobrepeso feito culpa carregada lastro essa sentença de amor que lavrei.... Do peito, ergui meus conceitos, vendi tantos sonhos, uma ideia absorta a torta e a direita submersa em tantos olhares sequestrados por meu encanto de ceder a felicidade tão caçada, sim, quantos caçam, criam expectativas, porem meu sorriso continuava o mesmo e aquele nariz me trazendo lembranças dissentindo de um passado em que carreguei um palco inteiro enfermo sobre mim...

Enfim, eu tive que curar esse vazio perdido entre os aplausos que ouvi ao me curvar na multidão, chorei, me entreguei e por mais que a vida procrastine esse castigo, vou fazendo de meu palco meu abrigo e apesar das vicissitudes como tiro à queima roupa transfixando essa felicidade forjada por tantas pessoas empurrando a vida como quem caminha sem saber onde chegar ou por onde vir, eu só, que carreguei um palco inteiro enfermo sobre mim e apesar de chorar, eu tive que sorrir e seguir...


Autor: Leandro C. de Lima

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