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| Desenhista : Gualdino Pimental |
Vejam só, carrego um palco
inteiro enfermo sobre mim, um paralelo entre ir e vir, de sentimentos
passageiros, de imperfeiçoes sobressalentes.... Vejam só, quanta saudade eu
herdei de mim, quanta loucura eu herdei de nós, fui desatando tantos nós
entrelaçados entrementeses, que estacionei meu coração onde não devia, vejam
só, um sobressalto ante a solidão, silenciando a voz nessa procissão, num
estado latente de poesia e foi então, que borrei toda essa imagem forjada de um
tempo onde já não mais se vive por viver, posto que eu, tantas vezes duvidei
dos sorrisos que ouvi, das pessoas que amei, dos olhares percebi, que carrego um palco inteiro enfermo sobre mim...
Vejam só, há tanta gente
habitando em mim, um sobrepeso feito culpa carregada lastro essa sentença de
amor que lavrei.... Do peito, ergui meus conceitos, vendi tantos sonhos, uma
ideia absorta a torta e a direita submersa em tantos olhares sequestrados por
meu encanto de ceder a felicidade tão caçada, sim, quantos caçam, criam
expectativas, porem meu sorriso continuava o mesmo e aquele nariz me trazendo
lembranças dissentindo de um passado em que carreguei um palco inteiro enfermo
sobre mim...
Enfim, eu tive que curar esse
vazio perdido entre os aplausos que ouvi ao me curvar na multidão, chorei, me
entreguei e por mais que a vida procrastine esse castigo, vou fazendo de meu
palco meu abrigo e apesar das vicissitudes como tiro à queima roupa
transfixando essa felicidade forjada por tantas pessoas empurrando a vida como
quem caminha sem saber onde chegar ou por onde vir, eu só, que carreguei um
palco inteiro enfermo sobre mim e apesar de chorar, eu tive que sorrir e
seguir...
Autor: Leandro C. de Lima

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