quinta-feira, 9 de abril de 2015

Desejos



Quantas vezes eu lhe desejei,
Lhe observei ali sentado,
E no rosto o sorriso estampado,
Um olhar de quem sabe o que quer.
Eu tão invisível de ti,
Que já não me percebe,
Você tão rei, eu tão plebe,
Vivemos em reinos opostos de amor,
Você ali sentado pensando na vida,
 E eu que sempre lhe observei pelo corredor.

Tão platônico eu sei, mas não pude evitar,
Menos que vicio eu sei, fui lhe cobiçar
Mesmo em terreno proibido eu quis,
Ser seu alguém ou um caso qualquer.
Pois todo pecado no afã de querer,
Você não me saiu da cabeça,
E antes que me esqueça,
Esteja onde estiver,
Não esqueço o perfume,
Que meu coração assume,
Querer desejar.

Porém não se espante,
Você nunca foi o motivo,
Nem a razão dessa solidão,
Que me cobra e me abraça...
O desejo trapaça,
Pois quando corpo alucina,
Meu pecado fascina,
E lhe perco outra vez...

Quem sabe um dia,
Esqueça essa então covardia,
De me esconder,
Por lhe querer,
Por me conter,
Por guardar em mim toda essa vontade,
Que quer liberdade,
De lhe pertencer.

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