Emprestar minhas falas, meus
olhos, meu corpo, emprestar meu sorriso, penetrar na alma de meu abrigo o
imperfeito e no peito aquela vontade louca que extravasa e completa, me tomou
em êxtase. Eu e minha teatralidade por um segundo éramos um só, naquele instante
deixei de ser eu mesmo para dar vida a tantos e outros sonhos, planos, recuei a
minha realidade e sem vaidade minha timidez reduzida a pó, transformou aquele
universo no infinito.
E no inimaginável construí
castelos e reinos, desenhei meu chão, todo grão de areia que corria entre os
dedos, eram sonhos derramados ao mar que se mantinham acessos, toda história
contada que em meu ser construía, eram inverdades, fantasias, eram fábulas, eram
contos e palavras escritas na certeza de inspirar na vida de alguém o amor
tantas vezes sonhado, guardado ao tempo que se leva e cria na morada dos
homens, eu amei tantas vezes, tive tantos nomes, eu fui rei de minha criação.
E meu ser tão pequeno quer ganhar
o mundo sendo tantos seres, fazer de meu engenho todo fruto colhido das vezes
que plantei sementes, quero ser toda arte de tirar e de vestir tantas almas,
quero ser a desobediência sem nenhuma autoridade e quem sabe, ser o mocinho e o
vilão de toda essa criatividade que me envolve.
E lembro-me quando haviam me
perguntado o porquê eu queria ser ator e respondi: quero ser o corpo habitado
por tantas almas e ser ao mesmo tempo minha própria felicidade.
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