Quantas vezes rabisquei o recado
de Deus em meus olhos, regozijei a saudade e me reencontrei pensante, errante,
caminhante do meu próprio destino e dono do que posso chamar de vida. A felicidade
é um assombro, por vezes entrou em minha vida sem sequer apertar a campainha de
meus pensamentos ou sem pedir licença, foi chegando tomando conta de tudo o que
é meu, na verdade, o que é meu? Pois ainda procuro o que me foi levado.
Lembro-me de certa vez alguém ter
me perguntado do que eu sentia falta e respondi que a saudade é um animal
arisco, tão sublime e fugaz. Enquanto a felicidade corria elegante livre em seu
contentamento, por desalento eu jamais soubera como agarra-la, em verdade,
cansei de regar tantas vezes meu chão na incerteza de que meus frutos fossem
tão mais robustos que meus sonhos.
Foi então que comecei a conversar
comigo mesmo e por incrível que pareça, não estou louco, em verdade, todos
somos, pois quantas e quantas nos tornamos vazios e começamos a conversar com
nosso próprio pensamento?
Foi então que me dei conta de que havia perdido
metade de minha vida me preocupando com o inútil, por isso, não quero guardar o
rancor debaixo dos meus braços nem os alardes das palavras comuns que cobiçam
minha felicidade que tanto procuro, o obscuro do outro aprisiona meu sonho em gaiolas
vis, tão mesquinhas de si e eu só quero uma única coisa: correr do inseguro.
No mais sou feliz do jeito que me
cabe o imperfeito, não forço o sorriso nem desenho o caráter estampado em meu
olhar e o melhor da vida é não dispensar as forças de viver e domar a
felicidade que lhe cabe atrelada em seu peito.
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