E lá transportava-se em seu
universo paralelo travestido de suas emoções e por um segundo, esquecera aquela
vida conturbada, esquecera as responsabilidades, esquecera a saudade de um
certo alguém que já não mais cainhava ao lado. Ele professor, ela a
personificação de uma alemã pin up presa a imagem de tantas outras mulheres da
década de 30 a 60.
Enquanto lá fora as pessoas
deturpam seus olhos e fogem de outros olhares, ele ali em sua performance desenhava
em seu rosto a imagem de um certo alguém que me conquistava. Talvez não
soubesse a quem amar, talvez não soubesse a quem querer, Rita ou Guilherme,
tenho apenas o desejo de talvez quem sabe descobri que do mesmo olhar eu possa
sentir o mesmo beijo, mesmo que eu vá lembrar as tardes de domingo em que
sentado ali lhe observando corrigir as provas de inglês de sua turma, eu também
lembrava, será traição, como posso gostar de dois seres que vivem em um único
corpo
Sinto-me confuso e ao mesmo tempo
sensato, sinto-me entregue mas a quem? E por incrível que pareça fiquei ali
horas lhe observando fitando seus olhos como quem quer desenhar na saudade o
mesmo traço dos seus lábios, traços tão iguais da mulher que beijei, ou seria
ele? Será que estou ficando louco?
Vou quem sabe sair sem destino e
se desatino talvez eu volte correndo até você, Rita ou Guilherme? Engraçado que
ela ainda pouco havia me fitado o olhar como quem quer me conquistar sem dize
ruma palavra que não seja o silencio me dizendo “beija-me” e daquele beijo,
ouvir sua voz sem pestanejar me dizendo tantas outras verdades de quem busca
ser amado independente de outras escolhas, ou de um palhaço montado ao circo
desenhando em outras faces o sorriso que jamais conheceu.
Tenho razão em sentir saudade,
saudade de um alguém que jamais toquei, mas que o simples apertar de mão
imaginário vindo ao pensamento regozijou aquele certo alguém que escreveu este
pequeno texto como quem quer dizer : obrigado por existir Rita Von Hunty.
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