Eram quase 20:00 horas, caminhei
ao receio naquela rua deserta quando me deparei com um menino de uns quase 13
anos revirando o lixo jogado ao chão. Naquele momento ainda guardava alguns
centavos no bolso e perguntei o que ele ali procurava e com os olhos cheios de
lagrimas me respondera: procuro a comida que não tenho em casa.
Na verdade ele havia respondido
muito mais do que aquela simples frase, ele procurava seus sonhos, seus planos,
procura sua inocência perdida, o livro nunca antes lido, o amor incompreendido,
procurava a felicidade que muitos jogam em seus lixos.
Naquele momento o levei em uma
padaria para que pudesse ao menos ter o afago de alguém que o alimente, mas e
depois? Como irei alimentar seus pensamentos que divagam em um nada obscuro,
como alimentar seu futuro? Como desenhar um sorriso de esperança se todas as vezes
ele necessita procurar no lixo dos homens a matança de sua fome?
Quase meia hora após o seu
lanche, algumas pessoas assustadas com sua presença me fizeram perceber o
quanto poucos conseguem sentir a necessidade e a carência do outro, é tão mais
fácil julgar, mas alimentar que é bom nada.
A alma vazia de alguns não
alimenta nem sua própria existência e lá aquele alguém alimentado com um gesto
humano caminhara esperançoso em retorno à sua casa, mas será que ele tem casa? E
seus sonhos, ainda existem?
A vida ainda não me convencera do
sofrimento de alguns, será que sofrer é necessário? Talvez fosse mais fácil
encobrir toda essa infelicidade com mãos estendidas e quisera não volte
procurar no lixo dos homens a felicidade, seus sonhos, seu alimento, quisera
Deus que todo esse desalento fosse esquecido e de vez merecido a vida que
realmente nasceu para ter: ser um humano feliz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário