sábado, 4 de abril de 2015

Epifania

Você já se preocupou com sua vida hoje?

Quisera fosse verdade que a maioria das pessoas se preocupassem com suas vidas, mas a cada dia que passa, a grama do vizinho sempre chamará mais atenção. Sinto-me vigiado, mas onde estão as câmeras? Senhor narrador por favor, narre em minha vida a felicidade que procuro, a imperfeição do obscuro, narre esse sentido de falar de mim sem sequer me conhecer ou talvez narre a sua própria existência e deixe que eu comando daqui a vida que pertence somente a mim.

Será que é tão mais fácil falar do outro ao invés de enxergar a si mesmo? As vezes penso que me desconheço, inventam histórias de coisas que eu não vivi, e se me esqueço enlouqueço desta torpe sociedade que em verdade tomou conta de minhas rotinas, dos meus sonhos, dos meus planos e ainda tem a cara de pau de dizer “ele não presta”, mas eu pergunto: o veneno está sendo jogado por quem?

O segredo é não abrir mão de quem somos, pois eu não nasci para servir de rabisco na vida de alguém que não escreve o que vivo, e você já se preocupou com sua vida hoje? É bem verdade que falar mal de alguém é a política dos fracos, e como diria Sigmund Freud “O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”, então há quem saiba mais de mim a que a mim mesmo.

Mas você já se preocupou com sua vida hoje?


Certa hora tive em meus pensamentos uma epifania de que falar mal do outro é na verdade o reflexo do quem verdadeiramente somos e quem somos? E lembro-me de certar vez ter lido de Renée Venâncio, que a “fofoca é coisa de gente que tem a mente ociosa e a vida sem graça”, foi então que eu descobri que se desarma o mal caráter possuindo a felicidade que ele jamais saberá que existe, pois a doença da alma é o vazio que se persiste e carinho que jamais afagará a solidão.

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